Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.
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5 de agosto de 2021

Tinhorão (em memória): o Policarpo Quaresma que deu certo

Quem pesquisa música popular brasileira tem que passar, obrigatoriamente, por José Ramos Tinhorão... polêmicas à parte, ou não, era o maioral. Todos temos uma dívida com ele. Inegável seu impacto, no que erra e no que acerta. Sua contundência me agrada, mesmo quando discordo dele, porque não é mera performance, é embasada em sua pesquisa e visão de mundo [só a título de exemplo, sua crítica sobre o show Opinião]. Reconhecer isso não significa evitar dizer que é preciso reparo e revisão de coisas que ele fala. É necessário, inclusive para honrá-lo, fazer isso, desde que de modo consequente e sustentado.
Um pequeno caso curioso, eu num concurso desses da vida, acho que o que fiz pra uma vaga na UFU, acho que sortearam um ponto sobre historiografia, me deu na veneta fazer uma aula sobre historiografia da música popular brasileira, e tinha o Tinhorão entre os principais autores analisados. Eu certamente escolhi o tema para a banca errada kkkkk, mas saí da prova de didática convicto de ter dado uma baita aula rsrsrsrs. Depois dessa aprendi uma lição sobre escolhas de temas para aulas de concurso kkkkk.
Que bom que há muitos livros e outros registros do conhecimento reunido pelo Tinhorão. Dá pra sacar o estilo com essa palestra proferida por ele e registrada pelo MIS-RJ em junho de 1973.



Que saibamos fazer jus, mesmo que seja para contradizê-lo. Uma pena que o acervo dele foi parar no IMS - por mais que esteja bem cuidado lá - deveria estar num Museu da Imagem e do Som público - por mais que estejamos testemunhando os efeitos nefastos da negligência calculada sobre nosso patrimônio cultural no momento. O Brazil não merece o Brasil... façamos por onde merecer.




5 de novembro de 2020

A crítica musical e as tentativas de enquadramento estético

 

Importantíssimo desde sempre o trabalho da Marcus Pereira para o patrimônio musical brasileiro. Acabei me deleitando também com a matéria do Walter Silva sobre Milton, cuja obra é objeto de estudo pra mim há muitos anos. Silva, conhecido como "Pica-Pau", tem longa história como disque-jóquei e radialista [para saber mais, aqui]. 
Sua crítica virulenta me parece uma tentativa tardia e fracassada de enquadrar esteticamente Milton Nascimento, reprisando a eterna ladainha conservadora que prefere o passado a priori e uma idealização rústica, artisticamente limitadora e essencialista, perdendo totalmente de vista os traços subsequentes de originalidade e ousadia que Milton revelou e explorou exponencialmente em sua carreira discográfica na década de 1970. Felizmente esse tipo de "saudosismo" fabricante de estereótipos não o vitimou em nada, e houve críticos em bom número para contrapor uma percepção mais acurada do que ele e seus parceiros de Clube da Esquina estavam fazendo, muito longe de ser postiço e artificial. O artigo denota sobretudo a dificuldade de seu autor em realizar uma audição compreensiva e abrangente sobre a criação de um artista, preferindo apegar-se a um tipo de "fotografia" narcísica baseada no momento em que lhe conheceu e aprovou. Como tem crítico que faz isso, até hoje. Agora, como documento que se presta à análise historiográfica, é uma pequena joia, instantâneo que revela algo sobre a prática da crítica musical na grande imprensa brasileira em meados dos anos 1970, e também sobre a recepção da obra de Milton, ali em vias de alcançar tanto a sua consolidação estética quanto um público bem mais amplo, no momento em que era considerado "o maior talento dos dias de hoje", como Walter Silva repercute, ainda que com tom lamentoso. Pena que ele não estava ouvindo direito. 

11 de agosto de 2020

Com o prato e a faca na mão: a ga(r)fe da Rolling Stone

 Após a apresentação ao vivo pela internet (vulgo "live") de Caetano Veloso e filhos na última sexta, a edição brasileira da revista Rolling Stone cometeu essa tremenda ga(r)fe:


Esse pequeno destaque se presta a uma análise que poderia até tomar o tamanho de um artigo. Como tantas vezes aqui no blog, o comentário oportuno, de ocasião, no calor do momento, tem sobretudo o objetivo de mostrar a relevância e capacidade de intervenção da história cultural e dos estudos sobre o patrimônio musical popular, sobretudo no contexto brasileiro. 

Constatar o desconhecimento desse patrimônio e da história da música popular no Brasil, por parte do autor da notinha, é imediato. Trata-se de alguém com nenhum repertório, nenhum mísero átomo de conhecimento sobre a tradição do samba-de-roda, seja no Recôncavo Baiano - onde fica Santo Amaro da Purificação, terra da família Veloso - seja do samba em geral, uma vez que esse "recurso" seguiu sendo usado em terras cariocas "desde que o samba é samba". Desconhece ainda que esta forma de se reapropriar de objetos do dia a dia para fazer música é recorrente desde tempos imemoriais. E finalmente, que a marca do improviso revela um tanto sobre a criatividade popular e as formas de desdobrar as evidências do precário, do provisório. Tensões sociais que as classes pobres desvelam e enfrentam nas táticas improváveis e soluções imprevistas que nascem da força do improviso. Nada há de inusitado, ou cômico, nem faltou instrumento e muito menos a habilidade de percussionista de Moreno poderia ser assim desconectada de sua aproximação orgânica com tal tradição, muito menos massacrada pelo clichê roto proferido aos borbotões por certo apresentador de programa televisivo. Uma resposta que Caetano já deixou dada há décadas para a Rolling Stone, eco da explosão do tropicalismo: "Vocês não estão entendendo nada, absolutamente nada!”


Lamentável que esteja se perdendo entre os que tem espaço em mídias (sejam digitais ou não) a capacidade de reconhecer seu próprio desconhecimento e pesquisar para informar  e formar melhor seus leitores, caindo facilmente nas armadilhas espetaculares de um tempo "homogêneo e vazio" (já dizia Benjamin, aliás um dos filósofos que mais bem tratou da tradição sem reificá-la, a meu ver), realçando que uma cultura desmemoriada exacerba a predileção pela barbárie. Sem História não temos perspectiva sobre quem fomos, somos, e para onde vamos. E para isso não se pode deixar tudo ao sabor do mercado, é preciso dedicar esforço e investimento públicos, é preciso reconhecer a centralidade da Cultura na construção de uma sociedade plural e justa. 

Daí a importância de manter registros preservados e difundir fontes para apreciação e conhecimento de feitos culturais como o "prato e faca". Em meio às objeções lançadas por gente que conhece do riscado vemos menções a Dona Edith do Prato, baiana de Santo Amaro que deixou belos registros dessa arte em disco, ou João da Baiana, um dos artífices maiores do samba brasileiro desde as rodas e terreiros do Rio de Janeiro. Em disco, em filme, em objetos, depoimentos, documentos, nossa produção cultural merece todo cuidado. Louve-se, por exemplo, o trabalho do MIS do Rio de Janeiro - que começou por João da Baiana sua coleção de "Depoimentos para a posteridade" e incorporou prato que ele tocava em seu acervo de objetos [aqui], as iniciativas da família Veloso - entre tantas gravar com Dona Edith [aqui], ou do compositor francês Pierre Barouh que entre outras contribuições dirigiu o belo documentário Saravah (1972). 

 

Eis a motivação central por trás da maioria dos projetos de pesquisa e trabalhos que conduzo na UFMG, atualmente reforçado por um esforço conjunto que se materializa no Grupo de Estudo SOMMUS (Som e Museologia), junto com estudantes de graduação e pós-graduação. Termos que reivindicar importância para estas coisas com tanto esforço é, em si, sintomático, porém cabe também aos pesquisadores participar do trabalho de superar essa ga(r)fe. 


13 de abril de 2020

Começar e acabar chorare por Moraes


Começamos a semana com a triste notícia da partida de Moraes Moreira, passarinho da MPB que agora baterá asas nas nossas lembranças. Seu último gorjeio, como informa essa matéria no G1 da Bahia, foi um cordel sobre a atual pandemia do novo coronavírus. Haverá certamente muitos textos que celebrem a carreira, a obra e a energia criativa dele, com os Novos Baianos e no brilho próprio como artista solo. Tinha um violão brasileiro cheio de suingue, melodias contagiantes, letras lúdicas e vivas. Estarão perdidas as contas do tanto de corpos e sorrisos que embalou anos a fio em agitos elétricos e acústicos, e continuará a embalar. Para mim pensar agora em Moraes Moreira começa por um obrigatório exercício de rememoração da infância. Para quem tiver, como eu, nascido em meados da década de 1970, provavelmente terá sido nos carnavais e brincadeiras de criança que chegou a seus ouvidos deliciosas canções como "Pombo correio" ou sua inconfundível interpretação de "As abelhas" do musical Arca de Noé. Depois a grande explosão de amor nas trincheiras da alegria, "Festa no interior", sucesso multiplicado na voz de Gal Costa. Ver o Moraes diante da massa é impressionante.





Depois viria a associação da música com a pessoa, um fenômeno que, como vivi a infância em que o som era de fita cassete e rádio, mas sem vinis, dependia muito da mediação do aparelho de TV, num tempo em que os canais estavam abertos à música popular mais esmerada feita entre nós. E lá estava ele, sempre uma figura que transpirava energia e tomava a tela, especialmente com aquele cabelo grande, que troféu maravilhoso de mestiçagem - aquela de que só bem mais velho fui perceber a sutil negação na constância com que me levavam pra cortar bem rentes os meus virtuais caracóis. Depois de um tempo em que meus ouvidos foram carregados, no início da adolescência, para as terras frias e enevoadas porém excitantes da beatlemania, na redescoberta do Brasil, ainda que não imediatamente, lá estava o Moraes, junto a sua tribo musical, verdadeiro escrete dessa terra miscigenada, Os Novos Baianos. Fascinante mesmo foi entender que esses Baianos eram mesmo outros, que sua receita era pra ser saboreada de outro jeito daquela dos primeiros baianos, os que haviam vindo pretensamente quebrar as estruturas. Sob as bênçãos de João, esses verdadeiros filhos dele mudaram o disco, botaram pandeiro, cavaquinho, bandolim, refizeram a receita de Brasil e mostraram seu valor [uma postagem anterior do blog aborda o tema, Cantando a nação]. Que inundação foi Acabou chorare, sobretudo. Novamente a infância terá que ser lembrada aqui, inspiradora de tantos motes nesse disco, coautora do singelo balbucio da canção que lhe dá título. Não é casual meu filho e filha terem sido apaixonados por esse disco de pequenos, e eu diria que ele tem sido um guia certo para gerações jovens encontrarem ou reencontrarem o berço e o balanço musical brasileiros depois de escutar o alhures. Recentemente, quando assisti a Filhos de João, ótimo documentário sobre a trupe, me surpreendi com o relato dele sobre o delicado momento em que passou a questionar o arranjo coletivo que vigorava naquela grande família musical, Novos Baianos Futebol Clube [disco, aqui e documentário, aqui]. Um mundo e um amor lhe chamaram, enquanto corria a barca. Ele foi e afirmou-se de pleno direito, como grande cantautor que sempre foi, sabendo cantar o lado solar do Brasil sem desconsiderar seus desafios, mas espantando pra longe qualquer sentimento vira-lata, pois sempre foi um grande propagador de brasilidade. Avoa, Moraes Moreira, que essa brincadeira não acaba, e logo a gente vai começar chorare só de alegria com tudo que você deixou plantado na terra. 




29 de março de 2020

Aula de canção: Murder most foul, o sermão laico da montanha de Bob Dylan

A canção é solene, a melodia é meio soturna, mas reflexiva mais que doída, o andamento é lento. Dylan faz uma espécie de sermão laico da montanha, testemunho e testamento em trova de sua geração a partir da crônica da morte de Kennedy que se desenrola como um verdadeiro sobrevoo pela paisagem histórica de seu país em 1963, rendendo nesse percurso uma homenagem monumental ao repertório de canções que ele coleciona como uma amostragem abrangente e candente do som de seu tempo, uma espécie de radiografia musical geracional. Imagino que em seu país cale muito mais fundo que no resto do mundo, mas também nos toca de algum modo: 

"Business is business, and it's a murder most foul"
Negócio é negócio, e é o assassinato mais imundo.

Falou tudo (e mais um pouco, já que são 17 minutos de gravação)!




Murder Most Foul Bob Dylan
Twas a dark day in Dallas, November '63
A day that will live on in infamy
President Kennedy was a-ridin' high
Good day to be livin' and a good day to die
Being led to the slaughter like a sacrificial lamb
He said, "Wait a minute, boys, you know who I am? "
"Of course we do. We know who you are. "
Then they blew off his head while he was still in the car
Shot down like a dog in broad daylight
Was a matter of timing and the timing was right
You got unpaid debts; we've come to collect
We're gonna kill you with hatred; without any respect
We'll mock you and shock you and we'll put it in your face
We've already got someone here to take your place

The day they blew out the brains of the king
Thousands were watching; no one saw a thing
It happened so quickly, so quick, by surprise
Right there in front of everyone's eyes
Greatest magic trick ever under the sun
Perfectly executed, skillfully done
Wolfman, oh wolfman, oh wolfman howl
Rub-a-dub-dub, it's a murder most foul

Hush, little children. You'll understand
The Beatles are comin'; they're gonna hold your hand
Slide down the banister, go get your coat
Ferry 'cross the Mersey and go for the throat
There's three bums comin' all dressed in rags
Pick up the pieces and lower the flags
I'm going to Woodstock; it's the Aquarian Age
Then I'll go to Altamont and sit near the stage
Put your head out the window; let the good times roll
There's a party going on behind the Grassy Knoll

Stack up the bricks, pour the cement
Don't say Dallas don't love you, Mr. President
Put your foot in the tank and step on the gas
Try to make it to the triple underpass
Blackface singer, whiteface clown
Better not show your faces after the sun goes down
Up in the red light district, they've got cop on the beat
Living in a nightmare on Elm Street

When you're down in Deep Ellum, put your money in your shoe
Don't ask what your country can do for you
Cash on the ballot, money to burn
Dealey Plaza, make left-hand turn
I'm going down to the crossroads; gonna flag a ride
The place where faith, hope, and charity died
Shoot him while he runs, boy. Shoot him while you can
See if you can shoot the invisible man
Goodbye, Charlie. Goodbye, Uncle Sam
Frankly, Miss Scarlett, I don't give a damn

What is the truth, and where did it go?
Ask Oswald and Ruby; they oughta know
"Shut your mouth, " said the wise old owl
Business is business, and it's a murder most foul

Tommy, can you hear me? I'm the Acid Queen
I'm riding in a long, black limousine
Riding in the backseat next to my wife
Heading straight on in to the afterlife
I'm leaning to the left; got my head in her lap
Hold on, I've been led into some kind of a trap
Where we ask no quarter, and no quarter do we give
We're right down the street from the street where you live
They mutilated his body, and they took out his brain
What more could they do? They piled on the pain
But his soul's not there where it was supposed to be at
For the last fifty years they've been searchin' for that

Freedom, oh freedom. Freedom cover me
I hate to tell you, mister, but only dead men are free
Send me some lovin'; tell me no lies
Throw the gun in the gutter and walk on by
Wake up, little Susie; let's go for a drive
Cross the Trinity River; let's keep hope alive
Turn the radio on; don't touch the dials
Parkland hospital, only six more miles

You got me dizzy, Miss Lizzy. You filled me with lead
That magic bullet of yours has gone to my head
I'm just a patsy like Patsy Cline
Never shot anyone from in front or behind
I've blood in my eye, got blood in my ear
I'm never gonna make it to the new frontier
Zapruder's film I seen night before
Seen it 33 times, maybe more
It's vile and deceitful. It's cruel and it's mean
Ugliest thing that you ever have seen
They killed him once and they killed him twice
Killed him like a human sacrifice

The day that they killed him, someone said to me, "Son
The age of the Antichrist has only begun. "
Air Force One coming in through the gate
Johnson sworn in at 2: 38
Let me know when you decide to thrown in the towel
It is what it is, and it's murder most foul

What's new, pussycat? What'd I say?
I said the soul of a nation been torn away
And it's beginning to go into a slow decay
And that it's 36 hours past Judgment Day

Wolfman Jack, speaking in tongues
He's going on and on at the top of his lungs
Play me a song, Mr. Wolfman Jack
Play it for me in my long Cadillac
Play me that "Only the Good Die Young"
Take me to the place Tom Dooley was hung
Play St. James Infirmary and the Court of King James
If you want to remember, you better write down the names
Play Etta James, too. Play "I'd Rather Go Blind"
Play it for the man with the telepathic mind
Play John Lee Hooker. Play "Scratch My Back. "
Play it for that strip club owner named Jack
Guitar Slim going down slow
Play it for me and for Marilyn Monroe

Play "Please Don't Let Me Be Misunderstood"
Play it for the First Lady, she ain't feeling any good
Play Don Henley, play Glenn Frey
Take it to the limit and let it go by
Play it for Karl Wirsum, too
Looking far, far away at Down Gallow Avenue
Play tragedy, play "Twilight Time"
Take me back to Tulsa to the scene of the crime
Play another one and "Another One Bites the Dust"
Play "The Old Rugged Cross" and "In God We Trust"
Ride the pink horse down the long, lonesome road
Stand there and wait for his head to explode
Play "Mystery Train" for Mr. Mystery
The man who fell down dead like a rootless tree
Play it for the Reverend; play it for the Pastor
Play it for the dog that got no master
Play Oscar Peterson. Play Stan Getz
Play "Blue Sky"; play Dickey Betts
Play Art Pepper, Thelonious Monk
Charlie Parker and all that junk
All that junk and "All That Jazz"
Play something for the Birdman of Alcatraz
Play Buster Keaton, play Harold Lloyd
Play Bugsy Siegel, play Pretty Boy Floyd
Play the numbers, play the odds
Play "Cry Me A River" for the Lord of the gods
Play Number 9, play Number 6
Play it for Lindsey and Stevie Nicks
Play Nat King Cole, play "Nature Boy"
Play "Down In The Boondocks" for Terry Malloy
Play "It Happened One Night" and "One Night of Sin"
There's 12 Million souls that are listening in
Play "Merchant of Venice", play "Merchants of Death"
Play "Stella by Starlight" for Lady Macbeth

Don't worry, Mr. President. Help's on the way
Your brothers are coming; there'll be hell to pay
Brothers? What brothers? What's this about hell?
Tell them, "We're waiting. Keep coming. " We'll get them as well

Love Field is where his plane touched down
But it never did get back up off the ground
Was a hard act to follow, second to none
They killed him on the altar of the rising sun
Play "Misty" for me and "That Old Devil Moon"
Play "Anything Goes" and "Memphis in June"
Play "Lonely At the Top" and "Lonely Are the Brave"
Play it for Houdini spinning around his grave
Play Jelly Roll Morton, play "Lucille"
Play "Deep In a Dream", and play "Driving Wheel"
Play "Moonlight Sonata" in F-sharp
And "A Key to the Highway" for the king on the harp
Play "Marching Through Georgia" and "Dumbarton's Drums"
Play darkness and death will come when it comes
Play "Love Me Or Leave Me" by the great Bud Powell
Play "The Blood-stained Banner", play "Murder Most Foul

4 de setembro de 2019

O samba na caixa de fósforos - adeus a Elton Medeiros

É assim, percutindo com maestria uma caixinha de fósforos, que me lembro com mais nitidez da figura de Elton Medeiros. Ele se apresentava no Programa Ensaio, essa verdadeira enciclopédia audiovisual da nossa música popular. Meus olhos e ouvidos ficaram hipnotizados, incapazes de buscar qualquer outro interesse que não aquele som que poucos, mesmo entre os bambas, conseguem tirar. Descobri nessa mesma noite que Elton era parceiro de Cartola no samba "O sol nascerá" (como ele mesmo explicou, também conhecido como "A sorrir..."), uma dessas pérolas que a gente escuta e não esquece jamais. Talvez por não ser tão consagrado como intérprete, Elton Medeiros não seja tão conhecido e reverenciado quanto parceiros seus como Cartola e Paulinho da Viola.
Por duas ocasiões tive oportunidade de constatar e me postar contra uma certa falta de consideração a seus créditos, justamente por "O sol nascerá". A primeira foi quando assisti a uma apresentação da então presidente do MIS-RJ na Conferência Geral do ICOM, em 2013 na própria capital carioca, em que recebi dela um material institucional relacionado à promoção da nova sede de Copacabana, cuja construção infelizmente ainda não foi concluída. Percebi que a canção era citada com crédito apenas a Cartola, me identifiquei e discretamente lhe chamei a atenção para o erro. Ela me agradeceu protocolarmente mas tenho pra mim que não deve ter gostado muito de ter que responder - como lhe cabia, pelo cargo - pela falha. É muito importante revisar esse tipo de peça gráfica que se reproduz depois aos milhares, pois basicamente é impossível retificar erros. A segunda, foi quando apontei o mesmo erro ao proprietário de uma página de rede social, então bastante visitada, sobre cultura, semiótica, literatura e afins. Ao invés de agradecer e me creditar o auxílio na correção - feito no comentário da postagem- ele simplesmente fez a mudança e deixou a entender que não havia cometido o erro. Isso tem muitos anos, ainda estávamos longe da generalizada disseminação de falsificações de toda ordem que tomou conta da internet, mas me pareceu um ato deplorável, ao qual fiz questão de responder, convidando inclusive alguns amigos que também acompanhavam a mesma postagem a testemunhar a validade da minha intervenção e participar de uma rápida troca de "amabilidades" pelas quais deixei claro que havia o erro e fora a minha intervenção que propiciara a correção. Depois disso, deixamos eu e outros que acompanharam o caso de manter contato com a tal página, cujo nome já nem me lembro.
Quero lembrar mesmo é de Elton Medeiros, de seus sambas inesquecíveis, e daquele som hipnótico da caixinha de fósforos. 












P.S. Este texto não se pretende um obituário, para isso pode-se ler aqui.

23 de março de 2019

O pop unicórnico

Parece ser um fenômeno recorrente da História da Cultura que, se de um lado haverão aquelas expressões que tentarão expressar o mais acuradamente possível aquilo que se pode chamar de zeitgeist, ou visão de mundo, imaginário, enfim, o que busca de algum modo capturar o que podem modos socialmente compartilhados de traduzir a experiência social num determinado contexto histórico (portanto, de forma sincrônica, como poderia pensar junto com Carl Schorske), haverá também resíduos ou retomadas de outras que, desse modo, retornam do fundo dos oceanos do esquecimento cultural no refluxo de uma vaga nostálgica. Evidentemente, haverá aí algum grau de anacronismo, mas simultaneamente esse movimento na diacronia revela um dos muitos modos pelos quais o passado não morre simplesmente, não por completo. Caberá à crítica da História da Cultura compreender o que representa, no presente, a reentrada de meteoros que pareciam há muito resfriados. Seja qual for a razão, terá que revelar o nexo, que mesmo esquecido não desvanece por completo, entre duas épocas, sejam elas mais ou menos distantes entre si. 
E nos tempos correntes, e já desde pelo menos os anos 1960s, o fenômeno cultural da nostalgia se intensificou na forma que tomou inserido na indústria cultural e na configuração do "modo" pós-moderno da experiência histórica, em que um presente onívoro e regorgitante absorve e despeja incessantemente versões recicladas de fragmentos do passado e reedições do futuro distópico cuja distância em relação à atualidade parece reduzida a quase nada. Vencida a confiança inabalável que a modernidade promovia em relação a um supostamente inevitável "novo", somos compensados pela insistente reapresentação do "antigo" recoberto de por uma camada de sonho e açúcar. 
O recente frisson em torno do retorno da dupla Sandy e Júnior nada mais é que uma demonstração empírica dessa busca pelo conforto de "reconsumir" o que já foi consumado [notícias a respeito: aqui e aqui]. Ruminar (o que também seria próprio dos unicórnios caso existissem) é o estágio atual do entretenimento em escala planetária. Não vou, claro, gastar os meus dedos fazendo discussão do pretenso show, dos comentários das colunas de imprensa que dificilmente poderemos chamar de crítica. A música de Sandy e Júnior não merece muito mais comentário que isso. Sua longevidade terá sido muito mais em função do conhecimento das engrenagens que literalmente herdaram do pai Xororó, mais do que qualquer eventual habilidade musical. A dupla, entre outras tantas "atrações" montadas pela indústria fonográfica e jabafaraônica dos anos 1990 para atender o mercado infanto-juvenil e adolescente, cujo maior fenômeno de vendagem foi Xuxa, nada tem a acrescentar do ponto de vista do que pode durar para além de espasmódicas vontades acionadas nessa chave retrô. Especialmente diante de um patrimônio inestimável de canções, desde aquelas folclóricas ou de domínio público, onde encontramos pérolas de admirável lirismo, passando pelo repertório impecável composto e apresentado para o público infantojuvenil pela nata dos nossos criadores, especialmente entre os anos 1970-80, e chegando a trabalhos recentes inspirados encabeçados pelo duo Palavra Cantada. 
Adolescentes, via de regra, tornaram-se o público preferencial do pop de ocasião, e talvez tenha sido naquela geração que qualquer fio da meada possível entre os repertórios históricos da música brasileira, tão bem defendido pelos protagonistas da Era dos Festivais, inovadores que jamais descuidaram - nem mesmo os iconoclastas tropicalistas - desse elo com o repertório do passado. Não é coincidência que isso tenha sido concomitante ao esfarelamento das instâncias de consagração crítica para grande público que promoviam, todas elas obliteradas pelo ethos do sucesso de circunstância, ainda que hoje se tente fazer, também desses, uma afirmação de lastro na memória social. Diante do caos da crise, da dissolução dos valores, das incertezas pós-modernas, consumidores abonados e desnorteados buscam uma volta ao útero do pop unicórnico de sua infância. 

17 de março de 2018

Lista de artigos da Revista Artcultura (UFU) sobre música

Pela gentileza dos editores Adalberto e Kátia Paranhos, professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), recebi a lista completa de todos os artigos que abordam o tema "música" por toda a exitosa existência da Revista ArtCultura, conceituada publicação daquela universidade que constrói um profícuo diálogo entre a História "e distintos campos de produção cultural, como cinema, teatro, literatura, música, artes visuais, arquitetura e demais áreas das humanidades".Tive a satisfação de contribuir em algumas oportunidades como parecerista ad hoc na avaliação de artigos para a publicação, dentro de um sistema criterioso que garante a qualidade dos trabalhos publicados, como os leitores poderão constatar. É digno de menção todo o competente trabalho de editoração, incluindo a parte gráfica que é sempre de encher os olhos. Nesses tempos áridos marcados por um ataque à democracia, à educação pública de qualidade e ao investimento em pesquisa,  temos obrigação de saudar um trabalho longevo e competente como este. 
Quis então tornar a sua divulgação a mais ampla possível, adicionando à lista o link direto para todos os artigos  que estão online, de modo a facilitar a consulta. Tanto para os pesquisadores como para o público geral interessado, creio que será, como se diz, "uma mão na roda". Sendo assim, sirvam-se!
Agradeço aos editores pela lista e autorização para publicá-la em meu blog, e através deles, a toda equipe da revista, colaboradores, pareceristas e autores. Votos de longa estrada a ArtCultura. E agradeço ainda ao bolsista de iniciação científica (CNPq) Isac Santana pela colaboração na postagem. 







    Titulo
Autor
V. n. 
Ano
1.        
Gilberto Gil sempre presente
Mara Rúbia Ribeiro
v. 1, n. 1      
1999
2.        
Rock industrial cultural: palavras acerca de algumas velhas ideias
Luciano Carneiro Alves
v. 2, n. 2      
2000
3.        
Entre o sim e o não: ciladas da canção  
Adalberto Paranhos
v. 3, n. 3      
2001
4.        
Memórias afetivas da cidade de São Paulo: música e humor em Adoniran Barbosa
Maria Izilda Santos de Matos
v. 4, n. 4       
2002
5.        
Rádio e cultura popular: perspectivas históricas
Newton Dângelo
v. 4, n. 4       
2002
6.        
Vozes dissonantes sob um regime de     ordem unida (música e trabalho no “Estado Novo ”)
Adalberto Paranhos
v. 4, n. 4
2002
7.        
A janela de Carolina e o espelho de Lindoneia – duas (anti)musas de um mundo que se desagrega
Marcos Napolitano
v. 4, n. 5
2002
8.        
Depois do Império: música e artes plásticas
Jorge Coli
v. 5, n. 6
2003
9.        
Do batuque ao maxixe: considerações sobre a música brasileira
Sérgio Estephan

v. 5, n. 6

2003

10.    
O sonho de Edison: o advento do som sincronizado
Ney Carrasco
v. 5, n. 6
2003
11.    
Claúdia Neiva de Matos
n. 9
2004
12.    
Adalberto Paranhos
n. 9
2004
13.    
Idelber Avelar
n. 9
2004
14.    
Santuza Cambraia Naves
n. 9
2004
15.    
Nei Lopes
v. 6, n. 9
2004
16.    
Martha Tupinambá de Ulhôa
n. 9
2004
17.    
Arnaldo DarayaContier
n. 9
2004
18.    
Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel
v. 7, n. 10

2005

19.    
Guilherme Maia

v. 7, n. 10
2005
20.    
Maria Izilda Santos de Matos
v. 7, n. 10
2005
21.    
Alessander Kerber
v. 7, n. 10
2005
22.    
Valéria Ochoa Oliveira
v. 7, n. 10
2005
23.    
Luiza Mara Braga Martins
v. 7, n. 11
2005
24.    
José Roberto Zan
v. 7, n. 11
2005
25.    
José Geraldo Vinci de Moraes
v. 8, n. 13
2006
26.    
Marcos Napolitano
v. 8, n. 13
2006
27.    
Maria Amélia Garcia de Alencar
v. 8, n. 13
2006
28.    
Adalberto Paranhos
v. 8, n. 13
2006
29.    
Tânia da Costa Garcia
v. 8, n. 13

2006

30.    
Entre textos, imagens e sons: um balanço atual do campo da História Cultural
Ana Maria Mauad
v. 8, n. 13
2006
31.    
Mônica Lucas
v. 9, n. 14
2007
32.    
Isabel Cristina Martins Guillen
v. 9, n. 14
2007
33.    
Felipe Trotta
v. 9, n. 14
2007
34.    
Maria de Loudes Rabetti
v. 9, n. 15
2007
35.    
Geni Rosa Duarte
v. 9, n. 15
2007
36.    
Robin Moore
v. 9, n. 15
2007
37.    
Rita de Cássia Lahoz Morelli
v. 10, n. 16
2008
38.    
Eduardo Vicente
v. 10, n. 16
2008
39.    
José Adriano Fenerick
v. 10, n. 16
2008
40.    
Michel Nicolau Netto
v. 10, n. 16
2008
41.    
Jordão Horta Nunes
v. 10, n. 17
2008
42.    
Juliana Coli
v. 10, n. 17
2008
43.    
David Treece
v. 10, n. 17
2008
44.    
Maurício Barreto Alvarez Parada
v. 10, n. 17
2008
45.    
Silvia Maria Jardim Brügger
v. 10, n. 17
2008
46.    
Marcos Napolitano
v. 10, n. 17
2008
47.    
Dmitri Cerboncini Fernandes
v. 11, n. 18
2009
48.    
Daniela Vieira dos Santos
v. 11, n. 19
2009
49.    
Eleonora Zicari Costa de Brito e
Emerson Dionísio Gomes de Oliveira
v. 11, n. 19
2009
50.    
Tânia da Costa Garcia
v. 12, n. 20
2010
51.    
Margareth Arroyo
v. 12, n. 20
2010
52.    
Diogo de Souza Brito
v. 12, n. 20
2010
53.    
Tony Leão da Costa
v. 12, n. 20
2010
54.    
Rafael Alves Pinto Junior
v. 12, n. 20
2010
55.    
Martha Abreu
v. 13, n. 22
2011
56.    
Carolina Vianna Dantas
v. 13, n. 22
2011
57.    
Mayra Pinto
v. 13, n. 22
2011
58.    
Luís Fernando Hering Coelho 
v. 13, n. 23
2011
59.    
Lina Maria Ribeiro de Noronha
v. 13, n. 23
2011
60.    
Lucilia de Almeida Neves Delgado
v. 13, n. 23

2011
61.    
Sergio Pujol
v. 14, n. 24
2012
62.    
Adalberto Paranhos
v. 14, n. 24
2012
63.    
Leandro Barsalini
v. 14, n. 24
2012
64.    
Mariana Barreto
v. 14, n. 24
2012
65.    
Silvano Fernandes Baia
v. 14, n. 24
2012
66.    
Rubén López Cano
v. 14, n. 24
2012
67.    
Diósnio Machado Neto
v. 14, n. 25
2012
68.    
Newton Dângelo
v. 14, n. 25
2012
69.    
Antônio Maurício Dias da Costa 
v. 14, n. 25
2012
70.    
Mônica Rebecca Ferrari Nunes Costa
v. 14, n. 25
2012
71.    
Simone Luci Pereira
v. 14, n. 25
2012
72.    
Ari Lima
v. 15, n. 26
2013
73.    
Arnaldo Daraya Contier
v. 15, n. 27
2013
74.    
Claudia Neiva de Matos
v. 15, n. 27
2013
75.    
Adalberto Paranhos
v. 15, n. 27
2013
76.    
Avelino Romero Pereira
v. 16, n. 28
2014
77.    
Natália Ayo  Schmiedecke
v. 16, n. 28
2014
78.    
Roberto Camargos
v. 16, n. 28
2014
79.    
Mateus de Andrade Pacheco
v. 16, n. 28
2014
80.    
André Rocha Leite Haudenschild
v. 16, n. 28
2014
81.    
AlejandraSoledad González
16, n. 28
2014
82.    
José Adriano Fenerick
v. 16, n. 28
2014
83.    
Karla Guilherme Carloni
v. 16, n. 29
2014
84.    
Rafaela Lunardi
v. 16, n. 29
2014
85.    
Ivan de Bruyn Ferraz 
v. 16, n. 29
2014
86.    
Adalberto Paranhos
v. 17, n. 30
2015
87.    
Michel Nicolau Netto
v. 17, n. 30
2015
88.    
Rosane Kaminski
v. 17, n. 30
2015
89.    
Ana Guiomar Rêgo Souza
v. 17, n. 30
2015
90.    
Juan Pablo González
v. 17, n. 31
2015
91.    
José Adriano Fenerick e Carlos Eduardo Marquioni
v. 17, n. 31
2015
92.    
Marcia Tosta Dias
v. 17, n. 31
2015
93.    
Alexandre Felipe Fiúza
v. 17, n. 31
2015
94.    
Paulo Gustavo da Encarnação
v. 17, n. 31
2015
95.    
     Marcelo Téo
v. 17, n. 31
2015
96.    
José Juan Olvera Gudiño
v. 17, n. 31
2015
97.    
Victor Hugo Adler Pereira
v. 17, n. 31
2015
98.    
Tony Leão da Costa
 v. 18, n. 32
2016
99.    
Cleodir Moraes
 v. 18, n. 32
2016
100.                        
Edilson Mateus Costa da Silva
 v. 18, n. 32
2016
101.                        
Ana Cristina Borges
v. 18, n. 32
2016
102.                        
Theophilo Augusto Pinto 
v. 18, n. 32
2016
103.                        
Felipe Trotta
v. 18, n. 32
2016
104.                        
André Rocha Leite Haudenschild
v. 18, n. 33
2016
105.                        
Vitória Azevedo da Fonseca 
v. 18, n. 33
2016
106.                        
Eleonora Zicari Costa de Brito
v. 18, n. 33
2016
107.                        
Julia Chindemi e Pablo Vila
v. 19, n. 34
2017
108.                        
Mariana Oliveira Arantes
v. 19, n. 34
2017
109.                        
Juliana Pérez González
v. 19, n. 34
2017
110.                        
Tânia da Costa Garcia
v. 19, n. 34
2017
111.                        
Ricardo J. Kaliman
v. 19, n. 34
2017
112.                        
Christian Spencer
v. 19, n. 34
2017
113.                        

Luiz Costa-Lima Neto

v. 19, n. 34

2017

114.                        
Herom Vargas
v. 19, n. 34
2017