Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

24 de novembro de 2011

Na estante - A história por trás de todas as canções

Enquanto leio "A história por trás de todas as canções", de Steve Turner, penso que a obra dos Beatles deve ser a mais escarafunchada em todos os tempos, talvez pela combinação sem igual de sua imensa popularidade e sua inesgotável criatividade. E o que mais impressiona, é que, com tudo isso, com toda a bibliografia, com todos os inquéritos, todas as razões de ser e todas as fontes de inspiração arroladas, ainda assim resiste o mistério de sua criação única e irrepetível.

 



Resenha "twitter" do livro - bonito, bem feito, para iniciação apesar de lacunas e lugares comuns.

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