Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.
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2 de julho de 2016

Nana Caymmi, francamente...

Essas preciosidades que aparecem na internet... já escrevi outro dia da importância da tv pública brasileira para a história e a memória da música popular brasileira e o vídeo a seguir só comprova.

Trechos do show Chora Brasileira, de Nana Caymmi, intercalados por depoimentos divertidíssimos de Nana e dos irmãos Dori e Danilo.





5 de dezembro de 2012

As 30 mais geniais do Clube da Esquina, por Pablo Castro - 2a. parte

Continuando a Lista das 30 mais geniais do Clube da Esquina, por Pablo Castro [para conferir a lista completa, clique aqui]: 
A Página do Relâmpago Elétrico, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, é mais uma dessas canções meio inexplicáveis, por mais que se tente analisar cada parte, visto que o conjunto é algo transcendente. Esse rock 12/8 , em versos de 6 compassos, depois alternando para 8, tem uma letra incomumente longa e das mais icônicas, imagéticas, e, alguém diria, vagas, mas de qualquer maneira incisivas, das melhores letras de Ronaldo. "Que nem ronco do trovão que eu lhe dou para guardar " está entre os versos mais surreais e cortantes do cancioneiro brasileiro, algo talvez inspirado em Guimarães. A melodia em graus conjuntos e saltos precisos se encadeia numa forma capciosa, com longas (4) estrofes, algumas diferidas, enquanto a execução instrumental decola depois da segunda estrofe pra avoar que nem asa de avião até o fade-out final. Harmonicamente, passeia no território modal -tonal e modula de C# pra E maior, passando por vários acordes com nona, sétima maior, baixos invertidos , enfim, e isso tocado com notável ferocidade , numa onda destituída de blue notes , por isso não é um típico roque, e por cima de tudo o cortante falsete arrepiante e estridente de Beto Guedes e as cordas rasqueadas do seu violão e bandolim. Essa música teve várias versões cover, algumas das quais achei no youtube pra compartilhar aqui. Ficha técnica : Bandolim, violão e voz - Beto Guedes; Violões - Zé Eduardo; Baixo - Toninho Horta; Bateria - Robertinho; Percussão - Hely; Côro - Vermelho, Flávio e Beto.
*Vai aqui um complemento especial, um link para o excelente A página do diário íntimo elétrico de Beto Guedesótimo texto do blog Sobre a canção do Túlio Villaça
 
A Página do Relâmpago Elétrico

Abre a folha do livro
Que eu lhe dou para guardar
E desata o nó dos cinco sentidos
Para se soltar
Que nem o som clareia o céu nem é de manhã
E anda debaixo do chão
Mas avoa que nem asa de avião
Pra rolar e viver levando jeito
De seguir rolando
Que nem canção de amor no firmamento
Que alguém pegou no ar
E depois jogou no mar

Pra viver do outro lado da vida
E saber atravessar
Prosseguir viagem numa garrafa
Onde o mar levar
Que é a luz que vai tescer o motor da lenda
Cruzando o céu do sertão
E um cego canta até arrebentar
O sertão vai virar mar
O mar vai virar sertão
Não ter medo de nenhuma careta
Que pretende assustar
Encontrar o coração do planeta
E mandar parar
Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas
Fazer um minuto de paz
Um silêncio que ninguém esquece mais
Que nem ronco do trovão
Que eu lhe dou para guardar

A paixão é que nem cobra de vidro
E também pode quebrar
Faz o jogo e abre a folha do livro
Apresenta o ás
Pra renascer em cada pedaço que ficou
E o grande amor vai juntar
E é coisa que ninguém separa mais
Que nem ronco de trovão
Que eu lhe dou para guardar

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Tema dos Deuses, de Milton Nascimento. A voz de Milton certa vez foi descrita por Elis Regina como a voz de Deus, talvez depois de ouvir essa música sem letra mas que tem a voz como atração principal, além da oblíqua, profunda, sinistra, desconcertante condução harmônica, como que revelando as vísceras, as entranhas das divindades, e o que elas tem de grandioso e amedrontador, de teleológico e incomensurável, de doloroso e intangível e indecifrável. Milton tem a alma plugada lá em cima mesmo. Dar sentido à seguinte cadência: E (#11) Gm E (#11) Cm Gm Cm G#m Dm Bm B7 Dm Em não é pra qualquer mortal. A versão com orquestra no Milagre dos Peixes ao vivo (1974) é talvez a mais visceral, e mais uma vez prova que quando um compositor do nível de Bituca carrega muito no discurso harmônico melódico, ele o repouse na forma mais simples possível: um único A, repetido e acrescido, nas duas últimas repetições, da melodia crucial que dá o ápice climático da música. Feita para o filme de Ruy Guerra, Os Deuses e os Mortos, a música se tornou célebre pela sua contundência, independente do filme.
Músicos : Wagner Tiso : Órgão e Piano , Toninho Horta : Guitarra , Luiz Alves : Baixo , Robertinho Silva : Bateria, Nivaldo Ornelas : Sax e orquestração de Wagner Tiso, para o Orquestra Sinfônica de São Paulo.



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Lista Do Clube, number nine: Beijo Partido, de Toninho Horta. Toninho fez letra e música dessa canção que talvez seja a sua mais standard, transformada em tema instrumental e incorporada ao repertório jazzístico no mundo inteiro, por méritos próprios, uma melodia arquetípica que , a partir de certos cromatismos e dolorosos saltos, amarra as improváveis e distintivas modulações que tanto caracterizam a obra do compositor belorizontino. De Mi menor para Fá Sutenido, e dali rapidamente para Ré Maior, voltando sublimemente para o tom original. Mais uma vez as peripécias melódico-harmônicas são ancoradas em formidável simplicidade formal, mas que se encadeia de tal forma que quando o tema volta, parece ser um desenvolvimento do seu próprio final, caráter cíclico que amarra ainda mais um A repetido seguido de um estribilho (dessa vez em Si Maior ! ): Onde estará a rainha que a lucidez escondeu, escondeu ... , e por fim uma coda altamente propícia para improvisações, dois acordes dissonantes em movimento pendular... Beijo Partido condensa todos esses elementos e foi uma música imediatamente gravada por Milton Nascimento, Nana Caymmi, e de lá pra cá deve ter amealhado dezenas de versões mundo afora, além das do próprio compositor. Não foi à toa ! :)

Beijo Partido
(Toninho Horta)

Sabe, eu já não faço fé nessa minha loucura
e digo
Eu não gosto de quem me arruina em pedaços,
e Deus
É quem sabe de ti,
e eu não mereço um beijo partido

Hoje não passa de um dia perdido no tempo,
e fico
Longe de tudo o que sei, não se fala mais nisso, eu sei
Eu serei pra você,
o que não me importa saber

Hoje não passo de um vaso quebrado no peito, e grito

Olha o beijo partido
Onde estará a rainha
Que a lucidez escondeu ... escondeu ...




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A décima escolhida é Viver,Viver, de Lô Borges, Murilo Antunes e Márcio Borges, balada magnífica em cordas de aço e baixos invertidos cromáticos e uma melodia mais uma vez escandalosamente bonita, alternando, como é típico do seu compositor, graus conjuntos e saltos em sextas que pontuam os rápidos procedimentos harmônicos. Lô foi quem mais conseguiu liquefazer a harmonia bossa-novista em contexto estilístico totalmente diferente, mais próximo melodicamente e em termos de arranjo, da influência dos Beatles. Mil ideais num dia , deserto e cais, dourar de sol a melodia ... a letra é mais uma daquelas odes à vida e à beleza, ao sabor dos ventos, fontes da mesma luz, dessa vez com dois letristas, o que demonstra a unidade estética de fato do movimento Clube Da Esquina, cuja dinâmica está muito bem representada no Murilo Antunes Dvd, onde essa pérola ganhou nova versão de Lô e Milton Nascimento. Atenção para a ficha técnica da versão original, presente no disco Nuvem Cigana, de 1981 : Viver, Viver (Lô Borges, Márcio Borges e Murilo Antunes). Bateria e Cuatro venezuelano – Beto Guedes; percussão – Aleuda; arp e violão – Lô Borges; voz – Milton Nascimento; baixo elétrico –Paulinho Carvalho; piano – Telo Borges; percussão – Robertinho Silva.


 

Viver, Viver

Mil dias mais

Mil sonhos mais
Mil anos luz num dia
As ruas são
Meu mundo são
Mil vidas mais

Viver, viver

Tudo que Deus dará
Afim de ver
Mentes e corações
Abertos pra dizer
Ao modo de seu tempo
Eu sei viver assim
Vou do começo ao fim

Viver, morrer

Fontes da mesma luz
O som, a voz, o meio dia

Teu sonho amor

Pessoas mil
Mil ideais num dia
O sonho tem
Mil coisas mais
Deserto e cais...

Viver, viver

Tudo que o mundo tem
Saber viver
Tudo que a gente é
Dourar de sol a melodia

Viver, viver

Tudo que Deus dará
Afim de ver
Mentes e corações
Abertos às manhãs
E a alça contra os ventos
Crescer e arriscar
Tudo que pode ser

Viver, morrer

Fontes da mesma luz
O som, a voz, a melodia...
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A décima-primeira é a primeira(!!!) composição de Milton Nascimento, ao lado de Márcio Borges, a estupenda e distinta Novena, só gravada pela primeira vez por Beto Guedes em 1978 , e pelo autor só em 1992 , no disco Angelus. Pertinente observar que boa parte das pérolas do Clube é em tom menor, o que proporciona, via de regra, um clima mais sombrio à harmonia, ainda mais se construída de forma polimodal, alternando os modos da escala com a inclusão de acordes surpreendentes, que parecem ir contra toda a tradição harmônica no campo popular ocidental. O baixo pedal e a estranha sequência de tríades sugerem uma descoberta puramente empírica ao violão, subindo e descendo acordes com a mesma fôrma manual, e desvelando soluções surpreendentes e imprevisíveis, e enfatizando o sentido de mais uma letra icônica, assimétrica, dura que transcende e ao mesmo tempo faz jus ao contexto político da década de 1960, a 'chama' insurgente da juventude em meio à escalada militar cada vez mais brutal. "É pelos malditos deserdados desse chão" ... A forma é bastante simples, consistindo num A repetido em dois versos, e um B onde se chega a si menor, o relativo do tom paralelo maior da tônica, ré meno, voltando para um A diferido com um movimento harmônico igualmente ascendente mas rigorosamente diferente entre seus acordes. Os cromatismos harmônicos espantaram e fascinaram os jazzistas americanos de tal forma que Milton fez seu segundo disco de carreira, logo em 1968, nos EUA, ao lado de nomes como Herbie Hancock, e outros três durante a década de 1970 - Journey to Dawn, Native Dancer, ao lado de Wayne Shorter, e Milton (1976) (pra mim o melhor deles), e na gravação do Angelus teve Pat Metheny, Herbie Hancock , Ron Carter e Jack De Johnette como seus luxuosos acompanhantes ... ainda assim, eu me atrevo a preferir a versão 'original', com Beto Guedes cantando com seu falsete de metal, Milton no violão, Luiz Alves no baixo, Robertinho Silva na beteria e orquestração e piano do formidável Wagner Tiso.


Novena


Se digo um ai

É por ninguém
É pela certeza de saber que tudo tem

Tem sua vez de lá retornar

ao lugar mais fundo, fundo, fundo , mais que o mar

Se digo sol

Não tem talvez
Não espero mais a chuva
Só preparo meu começo
A explosão de toda luz
A chama, chama, chama, chama

Se digo amor

Só é por alguém
É pelos malditos deserdados desse chão

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Terminando por hoje, agora temos a enigmática Pai Grande, música e letra de Milton Nascimento, uma loa aos ancestrais africanos de Milton. Das poucas vezes que estive perto dele, e a única em que foi possível conversar um pouco mais com ele, perguntei-lhe a respeito dessa música e ele, uma esfinge, me contou da descoberta que teria feito a respeito da exata tribo africana de que ele era descendente, cujo nome não vou me lembrar, e descreveu detalhes de seus rituais e cantos, sobre como eles cantavam e saltavam muito alto do chão ... de forma que o Pai Grande é um signo de toda uma ancestralidade atávica que Milton, e só ele, carrega dentro da música mineira. O fato de ter sido ele o autor da letra, coisa rara, atesta o alto grau de envolvimento pessoal dele com essa canção, a ponto de tê-la gravado em dois discos subsequentes, o de 1969, conhecido como o "da igrejinha", e o Milton 1970, fantástico álbum com a presença do Som Imaginário, Naná Vasconcelos, e a estréia de Lô. Essa versão pra mim é a definitiva, transbordante com a percussão espiritual de Naná, e a tocada emocionada da banda, pra não falar na perfomance vocal de Milton , muito solta, e nas polirritmias intuitivas que ele fazia no violão e na voz. Pra leigos, vale explicar que essa polirritmia consiste na sobreposição de dois tempos diferentes sobre o mesmo pulso, no caso, um violão ternário contra uma melodia vocal quaternária. Esse procedimento resulta numa efeito de fluidez e deslizamento rítmico que é absolutamente fascinante. Por fim, observemos que a forma dessa canção é mais heterodoxa, partindo de um A que se repete uma vez, cai numa ponte transitória, e desemboca num B bastante longo e intenso, que se repete indefinidamente (nunca voltamos ao A...). Com tudo isso, a harmonia é bastante simples, acordes maiores dentro do campo harmônico de Sol maior com um ou outro empréstimo modal daqueles de que os Beatles gostavam tanto, como Fá maior e Ré Menor ( mixolídio) e Lá com sétima (lídio) . Imperdível!

Pai Grande

Meu pai grande
Inda me lembro
E que saudade de você
Dizendo: eu já criei seu pai
Hoje vou criar você
Inda tenho muita vida pra viver

Meu pai grande
Quisera eu ter raça pra contar
A história dos guerreiros
Trazidos lá do longe
Trazidos lá do longe
Sem sua paz

De minha saudade vem você contar
De onde eu vim
É bom lembrar
Todo homem de verdade
Era forte e sem maldade
Podia amar
Podia ver

Todo filho seu
Seguindo os passos
E um cantinho pra morrer
Pra onde eu vim
Não vou chorar
Já não quero ir mais embora

Minha gente é essa agora
Se estou aqui
Eu trouxe de lá
Um amor tão longe de mentiras
Quero a quem quiser me amar

15 de maio de 2012

O Clube da Esquina no repertório das intérpretes na década de 1970

Enquanto se faz uma tese, muitas vezes parece que o peso dessa palavra vai aumentando à medida em que o tempo passa e os prazos apertam. Pensamos, por diversas razões, que ela tem que abarcar o mundo, cumprindo uma verdadeira circunavegação do globo. A sensação piora na medida em que vários insights, merecedores de maior desenvolvimento, acabam ficando ali, tacanhos, pequenos passos em forma de parágrafo do que deveriam ter sido caminhadas inteiras de páginas. Depois a gente entende (e é uma crueldade esse entendimento chegar com tanto retardo) que uma boa tese, dentro das limitações (nossas e da realidade), é feita também desse pequenos momentos de inspiração - e que bom tê-los, afinal. O que está ali ficará, esperando que nós mesmos, em condições por ventura menos tormentosas, retomemos o fio da meada, ou que outros pesquisadores, nas suas próprias jornadas, possam se valer dessas breves investidas.
Hoje passendo inadvertidamente pelo repertório dos primeiros LPs de Fafá de Belém, acabei me lembrando de uma das minhas. Meu plano, não cumprido, era fazer uma análise extensa dessa "penetração". Acabei estudando alguns casos que considerei exemplares, e como a banca não me interpelou a esse respeito creio que consegui provar o meu ponto:
No contexto de consolidação da MPB, houve uma maior penetração da obra do Clube através do repertório de intérpretes como Elis Regina, Simone, Gal Costa e Nana Caymmi, da atuação como músicos em espetáculos e discos de outros artistas e de sua influência no trabalho de alguns dos “novos”, como no caso de Ivan Lins e Luiz Gonzaga Jr. (...) Alguns LPs, escolhidos estrategicamente, permitem observar em detalhe essa penetração, ao mesmo tempo em que mostram a variedade das produções agrupadas em torno da sigla MPB. O disco de Simone Gotas d’água (EMI, 1975) traz Milton como co-produtor, além de participar cantando e tocando piano em Gota D’água (Chico Buarque) e ceder duas canções feitas com Fernando Brant (Outubro e Idolatrada). Wagner Tiso, além de tocar piano e órgão em várias faixas, fez arranjos para 5 canções. A concepção da capa foi feita por Ronaldo Bastos e Cafi, o “fotógrafo oficial” do Clube. No repertório, compositores que começavam a conquistar espaço, como a dupla João Bosco e Aldir Blanc, Gonzaga Jr. (que ainda não assinava Gonzaguinha) e uma parceria de Tavinho Moura e Murilo Antunes. Na parte instrumental, a presença dos integrantes do Som Imaginário, na formação que contava com Nivaldo Ornelas, Novelli, Paulo Braga, Toninho Horta e o já citado Wagner Tiso. (GARCIA, 2007, 230-231)
Quem sabe em breve não sai alguma coisa mais consistente nessa direção...por agora vou fazendo a pesquisa básica e aproveitando para ouvir várias pérolas do repertório do Clube da Esquina nas vozes de intérpretes de personalidade e escolhas estéticas distintas, que participaram do momento de consolidação da MPB na década de 1970.

1. Fafá de Belém - Fazenda (Nelson Angelo) - LP Tamba-Tajá, 1976. 
2.Simone - Céu de Brasília (Toninho Horta & Fernando Brant) - LP Face a face, 1977.
3. Nana Caymmi - Sacramento (Nelson Angelo & Milton Nascimento) - LP Renascer, 1976.